segunda-feira, 18 de abril de 2016

TPM - Tensão Psicótica no Metrô

Tem dias que simplesmente tudo dentro de um vagão de metrô te irrita: sim é ela, a TPM - Tensão Psicótica no Metrô. 

Sabe aqueles dias em que andar de metrô ou de outro transporte público tá nível "hard" inferno? Você achou que não podia piorar? (Não faz muito tempo que você usa o transporte público não, faz?!)

Aqueles dias em que o metrô tá super lento, com paradas de tempo indeterminado, aí junta uma pitada de calor, pronto! Irritação na certa.

Mas vou te dar um bônus: você conseguiu se sentar. Uia se isso não é um puta bônus?! O problema é que você já está há tanto tempo naquele metrô e está a caminho do seu trabalho, sabendo que vai se atrasar. Não por sua culpa, porque você se levantou cedinho da cama. Provavelmente, o metrô está daquele jeito que você sabe porque né? Aquilo sabe? "Objeto no trilho" traduza pessoa louca suicida e pontual que resolveu se jogar no trilho no horário habitual de ir a um compromisso  (trabalhar, estudar ou sei lá).

Voltando para o quê consegue te tirar do sério nesses dias e que, normalmente, você nem ligaria muito. Outro dia estava sentada no corredor e me encaixava nesta situação de tensão. De repente, do meu lado sinto um cheiro de tempero, algo parecido com alecrim e tomilho. Putz, na cozinha esse cheiro é maravilhoso, mas quando você se vira e dá de cara com um suvaco cabeludo, é no mínimo estranho né? Sou só eu, ou você já percebeu que existem uns perfumes masculinos que lembram temperos? Juro! Não sei a fixação por esse tipo de coisa, mas num ambiente fechado, aquele "perfume" é irritante de tão estranho. E outra coisa: porque usar uma regata tão cavada com um suvaco desses, my lord?! 

Meu nariz já estava ardido quando o homem encontrou um lugar para se sentar (Tks Lord!), então comecei a prestar atenção numa conversinha mole entre um homem e uma mulher. Nada de mais, típica conversa de amigos de trabalho que querem algo mais, sabe? Até acharia bonitinho aquele clima de possível relacionamento começando, uma certa cordialidade ... em dias normais seria assim, isso se a menina não tivesse uma vozinha (Sim, eu sei é estranho, mas esse é o diminutivo de voz, ok?) estridente e o cara com aquela risada do Pateta, e aqueles montes de sorrisinhos ... Aff! Ele naquelas "quero pegar" e ela no ritmo "quero que pegue mas vou valorizar o passe" (E até acho que ela tá certa, tem que valorizar sem passar o limite da chatice, mas não vamos discutir isso aqui). 

A única coisa que eu pensava era me levantar dali e ir acabar com aquela conversa bem assim "é o seguinte: ele quer dar uns pegas e você tá afim que eu sei, então vamos resolver logo isso. Depois do trampo, você paga um jantar bem legal pra ela e resolvam suas vidas. Fim dessa conversinha.". Sei, totalmente louca! Próximo!

E aquela criança de uns 7 ou 8 anos que tá se sentindo super independente e fica andando de um lado pro outro no metrô?! Toda vez que ela passa é um susto, parece que ela vai cair ou vai arrancar seu braço e sair chutando ele pelo corredor. Que mãe ou pai deixa essa criança louca ficar andando de um lado pro outro daquele jeito? Tenha paciência!

Na tentativa de se acalmar, você começa a reparar coisas sem a menor importância e que você não tem nada a ver, por exemplo, aquela pessoa que está encarnando a pantera cor de rosa. Você começa olhando pra blusa rosa, seus olhos vão acompanhando a sinalização e você se depara com a bolsa rosa. E também tem o óculos que é rosa e ela está de fone de ouvidos, você nem adivinha! Fone cor de rosa também. Aí ela coloca todo esse conjunto Barbie com uma calça jeans e sapatos pretos. E daí? É o gosto da menina! Deixa ela em paz! Mas a essa altura, aquele monte de rosinha ... Argh ... Já irritou e você quer ir lá bater na menina. Veja se isso não é pensamento de louco que anda de transporte público nessa cidade urbana de meu Deus?!

Tudo bem, respirei e fiquei sensata de novo, mas confesso que ficou um pouco difícil de me concentrar e pensar em coisas boas, porque entrou um ser "divino" de fone, mas o som estava tão, mas tão alto, que todos no metrô conseguiam ouvir claramente aquele funk de letra bem ridícula vindo daquela criatura naquela vagão. Pelo amor né? Quem consegue não se irritar com aquilo, pior, quem consegue ouvir aquilo e ainda naquela altura?

Naquele momento eu pensei que eu bem que poderia ter um "raio joselitador" (dá um Google em Joselito do Hermes e Renato, você vai me entender) e agir sem noção. O que eu faria primeiro?

Situação 1. Jogaria um balde de água no homem alecrim (como é só imaginação, seria fácil arranjar um balde com água no metrô, não?!);

Situação 2. Conversinha mole, bem já disse aí em cima;

Situação 3. Amarraria a criança no pé do seu responsável (ainda bem que existe algo chamado consciência que jamais deixaria que eu fizesse uma coisa dessas);

Situação 4. Mandaria pro Esquadrão da Moda;

Situação 5. Pessoa do funk ... bem, eu faria é, bem, como posso descrever com sutileza? ... deixa pra lá! 

Como não fui atingida por nenhum "raio joselitador", o melhor é respirar fundo, contar até 10 mil e ... (Ai que bom! Lembrei que tenho fone na bolsa) e aguardar pela minha estação destino chegar.




segunda-feira, 4 de abril de 2016

Tia, pode tirar o cotovelo da minha costela, por favor?!

Dia típico de semana: acorda atrasada, nem pensa em tomar banho porque não dá tempo, põe a roupa (aquela combinação "Agostinho da Grande Família", porque não quis ver na noite anterior e ainda achou que acordaria mais cedo na manhã seguinte), sai correndo com a metade de um pão com requeijão na boca.

Chega na plataforma do trem e já tá daquele jeito. Fico imaginando: mar de gente, queria ser Moisés, só por um dia, mas deixa pra lá!

Cada um com sua estratégia, a minha só era conseguir entrar no 336º trem que passava e ainda sim chegaria umas 50 horas atrasada no trabalho, belezinha! Todos a postos, atentos para as portas do trem se abrirem e 1,2,3 ... do jeito que entrei, fiquei.

Metade da make no vidro da porta, braço esquerdo para baixo e o direito para cima, e cada um se encaixando no quebra-cabeça. Eis que, a tiazinha resolveu se encaixar bem ali, embaixo do meu sovaco, e eu rezando pro desodorante com duração 24h ser de verdade. Até aí, dia normal para nós urbanos, né? Se não fosse por aquele cotovelo ... Puxa tia, tinha que encaixar o cotovelo entre as minhas 9ª e 10ª costelas?! Sei lá se isso tá certo, mas você entendeu, né?

A tiazinha apavorada, com medo de cair no chão (como se fosse possível ver o chão com milhões de pés em cima dele) só faltava segurar minhas costelas como se tivesse carregando uma sacola e eu tentando me esquivar dela. Que fique claro que essa tarefa não é nada fácil dentro de um trem.

Só sei que respirar já estava complicado e aí foi subindo aquela irritação, sabe? Aquela raiva, mas o que você faz? Respira fundo (força de expressão, porque naquele momento ali não dava para respirar fundo né?), conta até três e pensa "é uma senhorinha, cadê o respeito aos mais velhos?"

O que deu para fazer foi olhar para ela com aquela expressão do tipo "vida difícil né?" e já mandar um "Tia, pode tirar o cotovelo da minha costela?!" Daí a praguinha faz aquela cara que não tá entendendo (Afeeeeeeeeee! Volte 2 casas ... respira fundo e bla bla).

"TIA! Pode chegar o bracinho lindo um pouquinho pra lá?" e ela responde "Ai minha filha, não consigo senão eu caio hihi!" O QUÊEEEE!? Mas a costela é minha, dá licença?

De uma estação a outra parecia ter sido uma eternidade, imagina esperar, naquela situação, mais 982 estações? (Sei, exagero, foram 7 estações).

Cheguei ao meu destino assim: meio azul passando para um tom de roxo, com a sensação que estava praticando apneia, emocionalmente confusa (estava morrendo de ódio da tiazinha, apesar de saber que isso era errado), e com uma ligeira dor na costela.

Chegando no trabalho, passei no banheiro para checar a situação. Não deu outra: costela roxa e dolorida (acredite ou não, fiquei assim por uns 2 dias) e um ódio mortal da tiazinha. Porém, como na vida, "a vingança nunca é plena...", às vezes, temos que ser meio Mestre Miyagi, tirei o ódio do coração e fiquei só com a dor mesmo.