Tem dias que simplesmente tudo dentro de um vagão
de metrô te irrita: sim é ela, a TPM - Tensão Psicótica no Metrô.
Sabe aqueles dias em que andar de metrô ou
de outro transporte público tá nível "hard" inferno? Você achou que não podia
piorar? (Não faz muito tempo que você usa o transporte público não, faz?!)
Aqueles dias em que o metrô tá super lento, com
paradas de tempo indeterminado, aí junta uma pitada de calor, pronto! Irritação
na certa.
Mas vou te dar um bônus: você conseguiu se
sentar. Uia se isso não é um puta bônus?! O problema é que você já está há tanto
tempo naquele metrô e está a caminho do seu trabalho, sabendo que vai se
atrasar. Não por sua culpa, porque você se levantou cedinho da cama.
Provavelmente, o metrô está daquele jeito que você sabe porque né? Aquilo sabe?
"Objeto no trilho" traduza pessoa louca suicida e pontual que
resolveu se jogar no trilho no horário habitual de ir a um compromisso
(trabalhar, estudar ou sei lá).
Voltando para o quê consegue te tirar do sério
nesses dias e que, normalmente, você nem ligaria muito. Outro dia estava
sentada no corredor e me encaixava nesta situação de tensão. De repente, do meu
lado sinto um cheiro de tempero, algo parecido com alecrim e tomilho. Putz, na
cozinha esse cheiro é maravilhoso, mas quando você se vira e dá de cara com um
suvaco cabeludo, é no mínimo estranho né? Sou só eu, ou você já percebeu que
existem uns perfumes masculinos que lembram temperos? Juro! Não sei a fixação
por esse tipo de coisa, mas num ambiente fechado, aquele
"perfume" é irritante de tão estranho. E outra coisa: porque
usar uma regata tão cavada com um suvaco desses, my lord?!
Meu nariz já estava ardido quando o homem encontrou um lugar para se sentar (Tks Lord!), então comecei a
prestar atenção numa conversinha mole entre um homem e uma mulher. Nada de
mais, típica conversa de amigos de trabalho que querem algo mais, sabe? Até
acharia bonitinho aquele clima de possível relacionamento começando, uma
certa cordialidade ... em dias normais seria assim, isso se a menina não
tivesse uma vozinha (Sim, eu sei é estranho, mas esse é o diminutivo de voz, ok?) estridente e o cara com aquela risada do Pateta, e aqueles
montes de sorrisinhos ... Aff! Ele naquelas "quero pegar" e ela no
ritmo "quero que pegue mas vou valorizar o passe" (E até acho que ela
tá certa, tem que valorizar sem passar o limite da chatice, mas não vamos
discutir isso aqui).
A única coisa que eu pensava era me levantar dali
e ir acabar com aquela conversa bem assim "é o seguinte: ele quer dar
uns pegas e você tá afim que eu sei, então vamos resolver logo isso. Depois do
trampo, você paga um jantar bem legal pra ela e resolvam suas vidas. Fim dessa
conversinha.". Sei, totalmente louca! Próximo!
E aquela criança de uns 7 ou 8 anos que tá se
sentindo super independente e fica andando de um lado pro outro no metrô?! Toda
vez que ela passa é um susto, parece que ela vai cair ou vai arrancar seu
braço e sair chutando ele pelo corredor. Que mãe ou pai deixa essa criança
louca ficar andando de um lado pro outro daquele jeito? Tenha paciência!
Na tentativa de se acalmar, você começa a reparar
coisas sem a menor importância e que você não tem nada a ver, por exemplo,
aquela pessoa que está encarnando a pantera cor de rosa. Você começa olhando
pra blusa rosa, seus olhos vão acompanhando a sinalização e você se depara com
a bolsa rosa. E também tem o óculos que é rosa e ela está de fone de
ouvidos, você nem adivinha! Fone cor de rosa também. Aí ela coloca todo esse
conjunto Barbie com uma calça jeans e sapatos pretos. E daí? É o gosto da
menina! Deixa ela em paz! Mas a essa altura, aquele monte de rosinha ... Argh
... Já irritou e você quer ir lá bater na menina. Veja se isso não é pensamento
de louco que anda de transporte público nessa cidade urbana de meu Deus?!
Tudo bem, respirei e fiquei sensata de novo, mas
confesso que ficou um pouco difícil de me concentrar e pensar em coisas boas,
porque entrou um ser "divino" de fone, mas o som estava tão, mas tão
alto, que todos no metrô conseguiam ouvir claramente aquele funk de letra bem
ridícula vindo daquela criatura naquela vagão. Pelo amor né? Quem consegue não
se irritar com aquilo, pior, quem consegue ouvir aquilo e ainda naquela altura?
Naquele momento eu pensei que eu bem que poderia
ter um "raio joselitador" (dá um Google em Joselito do Hermes e
Renato, você vai me entender) e agir sem noção. O que eu faria primeiro?
Situação 1. Jogaria um balde de água no homem
alecrim (como é só imaginação, seria fácil arranjar um balde com água no metrô,
não?!);
Situação 2. Conversinha mole, bem já disse aí em
cima;
Situação 3. Amarraria a criança no pé do seu
responsável (ainda bem que existe algo chamado consciência que jamais
deixaria que eu fizesse uma coisa dessas);
Situação 4. Mandaria pro Esquadrão da Moda;
Situação 5. Pessoa do funk ... bem, eu faria é,
bem, como posso descrever com sutileza? ... deixa pra lá!
Como não fui atingida por nenhum "raio
joselitador", o melhor é respirar fundo, contar até 10 mil e ... (Ai que
bom! Lembrei que tenho fone na bolsa) e aguardar pela minha estação destino chegar.