Dia típico de semana:
acorda atrasada, nem pensa em tomar banho porque não dá tempo, põe a roupa
(aquela combinação "Agostinho da Grande Família", porque não quis ver
na noite anterior e ainda achou que acordaria mais cedo na manhã seguinte), sai
correndo com a metade de um pão com requeijão na boca.
Chega na plataforma do
trem e já tá daquele jeito. Fico imaginando: mar de gente, queria ser Moisés,
só por um dia, mas deixa pra lá!
Cada um com sua
estratégia, a minha só era conseguir entrar no 336º trem que passava e ainda
sim chegaria umas 50 horas atrasada no trabalho, belezinha! Todos a postos,
atentos para as portas do trem se abrirem e 1,2,3 ... do jeito que entrei,
fiquei.
Metade da make no vidro da
porta, braço esquerdo para baixo e o direito para cima, e cada um se encaixando
no quebra-cabeça. Eis que, a tiazinha resolveu se encaixar bem ali, embaixo do
meu sovaco, e eu rezando pro desodorante com duração 24h ser de verdade. Até
aí, dia normal para nós urbanos, né? Se não fosse por aquele cotovelo ... Puxa
tia, tinha que encaixar o cotovelo entre as minhas 9ª e 10ª costelas?! Sei lá
se isso tá certo, mas você entendeu, né?
A tiazinha apavorada, com
medo de cair no chão (como se fosse possível ver o chão com milhões de pés em
cima dele) só faltava segurar minhas costelas como se tivesse carregando uma
sacola e eu tentando me esquivar dela. Que fique claro que essa tarefa não é
nada fácil dentro de um trem.
Só sei que respirar já
estava complicado e aí foi subindo aquela irritação, sabe? Aquela raiva, mas o
que você faz? Respira fundo (força de expressão, porque naquele momento ali não
dava para respirar fundo né?), conta até três e pensa "é uma senhorinha,
cadê o respeito aos mais velhos?"
O que deu para fazer foi
olhar para ela com aquela expressão do tipo "vida difícil né?" e já
mandar um "Tia, pode tirar o cotovelo da minha costela?!" Daí a
praguinha faz aquela cara que não tá entendendo (Afeeeeeeeeee! Volte 2 casas ...
respira fundo e bla bla).
"TIA! Pode chegar o
bracinho lindo um pouquinho pra lá?" e ela responde "Ai minha filha,
não consigo senão eu caio hihi!" O QUÊEEEE!? Mas a costela é minha, dá licença?
De uma estação a outra
parecia ter sido uma eternidade, imagina esperar, naquela situação, mais 982
estações? (Sei, exagero, foram 7 estações).
Cheguei ao meu destino
assim: meio azul passando para um tom de roxo, com a sensação que estava
praticando apneia, emocionalmente confusa (estava morrendo de ódio da tiazinha,
apesar de saber que isso era errado), e com uma ligeira dor na costela.
Chegando no trabalho,
passei no banheiro para checar a situação. Não deu outra: costela roxa e
dolorida (acredite ou não, fiquei assim por uns 2 dias) e um ódio mortal da tiazinha.
Porém, como na vida, "a vingança nunca é plena...", às vezes, temos
que ser meio Mestre Miyagi, tirei o ódio do coração e fiquei só com a dor
mesmo.
Comigo ela ia tirar cotovelo dali....de um jeito ou de outro nem que eu precisasse abaixar o braço e deixar ela se sufocar. Kkkkk
ResponderExcluirCada situação que passamos né? Só rindo mesmo! kkkkkk
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