segunda-feira, 4 de abril de 2016

Tia, pode tirar o cotovelo da minha costela, por favor?!

Dia típico de semana: acorda atrasada, nem pensa em tomar banho porque não dá tempo, põe a roupa (aquela combinação "Agostinho da Grande Família", porque não quis ver na noite anterior e ainda achou que acordaria mais cedo na manhã seguinte), sai correndo com a metade de um pão com requeijão na boca.

Chega na plataforma do trem e já tá daquele jeito. Fico imaginando: mar de gente, queria ser Moisés, só por um dia, mas deixa pra lá!

Cada um com sua estratégia, a minha só era conseguir entrar no 336º trem que passava e ainda sim chegaria umas 50 horas atrasada no trabalho, belezinha! Todos a postos, atentos para as portas do trem se abrirem e 1,2,3 ... do jeito que entrei, fiquei.

Metade da make no vidro da porta, braço esquerdo para baixo e o direito para cima, e cada um se encaixando no quebra-cabeça. Eis que, a tiazinha resolveu se encaixar bem ali, embaixo do meu sovaco, e eu rezando pro desodorante com duração 24h ser de verdade. Até aí, dia normal para nós urbanos, né? Se não fosse por aquele cotovelo ... Puxa tia, tinha que encaixar o cotovelo entre as minhas 9ª e 10ª costelas?! Sei lá se isso tá certo, mas você entendeu, né?

A tiazinha apavorada, com medo de cair no chão (como se fosse possível ver o chão com milhões de pés em cima dele) só faltava segurar minhas costelas como se tivesse carregando uma sacola e eu tentando me esquivar dela. Que fique claro que essa tarefa não é nada fácil dentro de um trem.

Só sei que respirar já estava complicado e aí foi subindo aquela irritação, sabe? Aquela raiva, mas o que você faz? Respira fundo (força de expressão, porque naquele momento ali não dava para respirar fundo né?), conta até três e pensa "é uma senhorinha, cadê o respeito aos mais velhos?"

O que deu para fazer foi olhar para ela com aquela expressão do tipo "vida difícil né?" e já mandar um "Tia, pode tirar o cotovelo da minha costela?!" Daí a praguinha faz aquela cara que não tá entendendo (Afeeeeeeeeee! Volte 2 casas ... respira fundo e bla bla).

"TIA! Pode chegar o bracinho lindo um pouquinho pra lá?" e ela responde "Ai minha filha, não consigo senão eu caio hihi!" O QUÊEEEE!? Mas a costela é minha, dá licença?

De uma estação a outra parecia ter sido uma eternidade, imagina esperar, naquela situação, mais 982 estações? (Sei, exagero, foram 7 estações).

Cheguei ao meu destino assim: meio azul passando para um tom de roxo, com a sensação que estava praticando apneia, emocionalmente confusa (estava morrendo de ódio da tiazinha, apesar de saber que isso era errado), e com uma ligeira dor na costela.

Chegando no trabalho, passei no banheiro para checar a situação. Não deu outra: costela roxa e dolorida (acredite ou não, fiquei assim por uns 2 dias) e um ódio mortal da tiazinha. Porém, como na vida, "a vingança nunca é plena...", às vezes, temos que ser meio Mestre Miyagi, tirei o ódio do coração e fiquei só com a dor mesmo.

2 comentários:

  1. Comigo ela ia tirar cotovelo dali....de um jeito ou de outro nem que eu precisasse abaixar o braço e deixar ela se sufocar. Kkkkk

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    1. Cada situação que passamos né? Só rindo mesmo! kkkkkk

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